Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 31 de julho de 2025 · 2 min de leitura ·

Estudo traz novas informações sobre reservatório de água gigante escondido dentro da Terra

Estudo traz novas informações sobre reservatório de água gigante escondido dentro da Terra

Há mais de 10 anos, especula-se que exista uma imenso reservatório de água com aproximadamente o triplo do volume de todos os oceanos da Terra escondido nas profundezas do planeta. Novas informações acabam de ser divulgadas – e podemos estar mais perto de descobrir se esse recurso vital realmente se acumula em proporção gigantesca sob nossos pés e como ele foi parar lá.  

De acordo com um artigo publicado esta semana na revista Communications Earth & Environment, a água não estaria em estado líquido, como em mares e rios, mas presa em minerais a centenas de quilômetros abaixo da superfície.

Ao analisar amostras de rochas do sul da China, uma equipe internacional de pesquisadores encontrou sinais de que a água pode ter chegado ali através do processo de subducção – quando uma placa tectônica desliza sob outra e afunda mais para dentro da Terra.

Os cientistas identificaram uma rocha chamada ringwoodita, que só se forma sob altíssimas pressões. Esse mineral funciona como uma esponja, capaz de absorver e armazenar água. A presença da ringwoodita na zona de transição entre o manto superior e o inferior da Terra, a cerca de 700 quilômetros abaixo da superfície. pode significar uma imensa quantidade de de água retida no subsolo.

Estudos anteriores já haviam sugerido que esse mineral poderia conter até 1,5% de água em sua composição. Análises sísmicas realizadas em 2014 com mais de dois mil sensores mostraram que ondas de terremotos se comportavam de maneira consistente com a presença de água nessa região subterrânea. A estimativa é que mesmo 1% de umidade na rocha já represente três vezes o volume de todos os oceanos.

Em um comunicado na época, o geofísico Steve Jacobsen, da Northwestern University, nos EUA, afirmou que a ringwoodita tem uma estrutura cristalina especial que atrai hidrogênio, formando água. Segundo ele, isso pode ser um indício de que algum percentual da água da Terra veio de dentro do próprio planeta, como parte de um ciclo hidrológico profundo que vem sendo estudado há décadas.

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