Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 25 de agosto de 2026 · 2 min de leitura ·

Existe um planeta onde chove vidro derretido na horizontal

Existe um planeta onde chove vidro derretido na horizontal

Sim, esse planeta existe: chama-se HD 189733b, um exoplaneta — termo para planetas que orbitam outras estrelas, fora do Sistema Solar — e um gigante gasoso um pouco maior que Júpiter.

Sua atmosfera tem partículas de silicato, o mesmo mineral da areia e do vidro, que se condensam em gotas derretidas. Ventos estimados em milhares de quilômetros por hora empurram essas gotas na horizontal, como uma chuva de vidro que nunca cai reto.

Ele fica a cerca de 64 anos-luz da Terra, na constelação de Vulpecula (a “Raposa”). A luz que chega até nós hoje partiu de lá por volta de 1962, antes de o homem pisar na Lua. Descoberto em 2005 por uma equipe francesa, o planeta orbita tão perto da própria estrela que completa uma volta a cada 2,2 dias terrestres, e tem sempre o mesmo lado voltado para o sol local, como a Lua faz com a Terra.

Silicato é a família de minerais que forma boa parte da crosta da Terra, do quartzo às rochas dos fundos oceânicos. No HD 189733b, a atmosfera passa dos 1.000 °C, quente o bastante para vaporizar esse material.

Quando o gás sobe para camadas mais altas e frias, ele se condensa em gotículas sólidas, pequenos fragmentos de vidro. É esse aerossol que dá ao planeta a cor azul-cobalto observada pelo telescópio Hubble em 2013, a primeira vez que astrônomos mediram diretamente a cor de um exoplaneta.

Um mapa térmico feito pelo telescópio espacial Spitzer, da NASA, mostrou que a diferença de temperatura entre o lado diurno e o lado noturno do planeta chega a 260 °C. É essa diferença que gera ventos estimados em até 8.700 km/h, cerca de sete vezes a velocidade do som na Terra, fortes o suficiente para arrastar o material na horizontal.

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