Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 31 de março de 2024 · 2 min de leitura ·

Experimento de Miller: o que foi e resultado?

Experimento de Miller: o que foi e resultado?

Em 1952, o cientista norte-americano Stanley Lloyd Miller (1930-2007) realizou um experimento notável na Universidade de Chicago, conhecido como o experimento de Miller, com a orientação do químico também norte-americano Harold Clayton Urey (1893-1981). Nesse estudo pioneiro, Miller buscou replicar em um aparelho as condições da Terra primitiva em seu laboratório, combinando amônia (NH3), metano (CH4), hidrogênio (H2) e vapor de água (H2O).

Através de aquecimento, resfriamento e a aplicação de descargas elétricas, ele procurou simular os processos físico-químicos que teriam ocorrido na Terra primitiva. Em poucos dias de experimentação, Miller conseguiu produzir uma variedade impressionante de compostos orgânicos, incluindo aminoácidos e bases nitrogenadas, além de substâncias como cianeto e formaldeído. Esse coquetel complexo ficou conhecido como a “sopa prebiótica”.

A descoberta desses compostos orgânicos em condições semelhantes às da Terra na época, publicada na revista científica “Science”, em 1953, levantou a intrigante possibilidade de que a matéria precursora da vida poderia ter surgido espontaneamente a partir de substâncias simples e abundantes na época.

Essa ideia ganhou ainda mais credibilidade quando análises posteriores revelaram que o meteorito Murchinson continha os mesmos aminoácidos encontrados no experimento de Miller, em proporções semelhantes, sugerindo que esses compostos orgânicos poderiam ser comuns no universo e não exclusivos da Terra.

O experimento de Miller foi concebido como um teste das teorias propostas pelo biólogo e químico russo Aleksandr Oparin (1894-1980) e pelo geneticista e biólogo britânico John Burdon Sanderson Haldane (1892 – 1964), sobre a origem da vida na Terra.

O aparato experimental consistia em uma montagem intricada de tubos e balões de vidro, especialmente projetados e interligados. Neles, foram introduzidos os compostos que se acredita terem estado presentes na atmosfera primitiva, conforme sugerido por Oparin: amônia (NH3), metano (CH4), hidrogênio (H2) e vapor de água (H2O).

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