
A explosão da bomba atômica sobre Hiroshima, em 6 de agosto de 1945, produziu temperaturas superiores a 7.000 °C e vaporizou materiais como metais, vidro, solo e componentes de construções. Conforme esse material se misturou e esfriou rapidamente, formaram-se partículas conhecidas como hiroshimaites. Agora, cientistas identificaram dentro de uma delas uma pequena liga metálica que não corresponde a nenhuma liga industrial conhecida, segundo informações do portal Science Alert.
Uma equipe liderada pelo geólogo Luca Bindi, da Universidade de Florença, analisou 34 amostras de hiroshimaite em busca de fases metálicas incomuns. Essas partículas preservam registros físicos das condições extremas da explosão, já que metais, vidro, solo e materiais de construção foram vaporizados, misturados e resfriados rapidamente.
A análise encontrou diversos fragmentos microscópicos de uma liga rica em ferro e cromo. A maioria apresentava características compatíveis com o esperado para materiais desse contexto. Um dos grãos, porém, chamou a atenção por conter uma quantidade muito maior de silício do que as partículas metálicas próximas.
O fragmento tinha apenas cerca de 10 micrômetros e era composto principalmente por ferro, além de cromo, silício, níquel, molibdênio, manganês e alumínio. Para investigar sua estrutura, os pesquisadores selecionaram quatro grãos e os retiraram cuidadosamente da amostra usando pequenas agulhas.
Os cientistas utilizaram difração de raios X de cristal único para descobrir como os átomos estavam organizados dentro dos fragmentos. Três grãos usados como comparação apresentaram a estrutura cúbica de corpo centrado, característica esperada para o aço comum.
O fragmento rico em silício apresentou outro resultado. Seus átomos estavam organizados em uma estrutura cúbica muito mais complexa e ordenada, conhecida como estrutura do tipo AlAu₄, derivada da estrutura do beta-manganês. A combinação entre sua composição química e essa organização cristalina não corresponde a ligas industriais conhecidas ou a produtos de explosões anteriormente identificados.
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