Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 12 de abril de 2024 · 2 min de leitura ·

Explosão cósmica mais brilhante de todos os tempos tem origem revelada

Explosão cósmica mais brilhante de todos os tempos tem origem revelada

Denominada GRB 221009A, a explosão cósmica mais brilhante já detectada na história da observação espacial foi vista pela primeira vez em 9 de outubro de 2022, por telescópios de raios gama e raios-X. 

Diversos estudos já foram publicados sobre o evento que, de tão incomum, desafia qualquer modelo previsto pela ciência. Agora, parece que a origem do fenômeno foi finalmente descoberta – graças a ele: o Telescópio Espacial James Webb (JWST).

“Este foi um evento que a Terra vê apenas uma vez a cada 10 mil anos”, disse Peter Blanchard, líder da equipe e cientista da Universidade Northwestern, nos EUA, em um comunicado. “Foram produzidos alguns dos fótons de maior energia já registrados por satélites projetados para detectar raios gama”.

Blanchard e seu time usaram o JWST para mirar na explosão cerca de seis meses depois que ela foi vista pela primeira vez. “O GRB era tão brilhante que obscureceu qualquer assinatura potencial de supernova nas primeiras semanas e meses após a explosão”, disse ele. “Nessas horas, o chamado afterglow [brilho residual] do GRB era como os faróis de um carro vindo direto em sua direção, impedindo que você visse o carro em si. Então, tivemos que esperar que ela desaparecesse significativamente para nos dar a chance de ver a supernova”.

Usando o Espectógrafo de infravermelho próximo (NIRSpec) do JWST, eles observaram o pós-brilho infravermelho do BOAT. Isso revelou a assinatura de elementos como cálcio e oxigênio, todos característicos de supernovas.

O surpreendente, no entanto, foi que, embora o BOAT seja a erupção cósmica mais poderosa de seu tipo já detectada, a supernova que o criou parecia bastante média para uma morte estelar tão explosiva. “Não é mais brilhante do que as supernovas anteriores. Parece bastante normal no contexto de outras supernovas associadas a GRBs menos energéticos”, disse Blanchard, revelando que a equipe não tem certeza de como uma supernova “normal” poderia ter criado uma explosão de energia tão massiva quanto o BOAT.

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