Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 23 de setembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Fenômeno que matou milhões de animais no Pacífico pode estar de volta – e muito pior

Fenômeno que matou milhões de animais no Pacífico pode estar de volta – e muito pior

Uma onda de calor marinha que quase dizimou uma espécie de ave do Oceano Pacífico pode estar de volta, apontam cientistas. O fenômeno conhecido como “Blob” (ou “Bolha”, em português) matou quatro milhões de airos-comuns entre 2014 e 2016, se estendendo pelo nordeste do Pacífico. 

Dados do Copernicus, programa de mudanças climáticas da União Europeia, revelam que a temperatura média da superfície do Pacífico chegou a 20,82 °C em agosto deste ano – terceira maior para o mês desde o fim do século XIX e apenas 0,16 °C abaixo de um antigo recorde registrado em agosto de 2023.

Desta vez, as análises mostram que a onda de calor se estende por um território ainda maior: cerca de 8.000 quilômetros, indo desde a costa oeste dos Estados Unidos até o Japão, aponta a CNN. Para se ter uma ideia, o fenômeno de 2014 cobriu cerca de 1.600 quilômetros, do Mar de Bering até o Golfo do Alasca.

O Serviço Nacional de Parques dos EUA explica que o fenômeno é causado por uma mistura de “temperaturas do ar mais quentes (que aquecem a superfície do oceano), mudanças nos padrões de velocidade, direção e duração do vento (o vento ajuda a misturar o oceano e traz água fria das profundezas) e a massa persistente de água mais quente ao longo do equador conhecida como ENSO [El Niño-Oscilação do Sul]”.

A bolha de calor marinha de 2014 chegou a ser apontada como o maior caso de morte em massa de uma única espécie na era moderna. Um ano após o início do evento, em 2015, a cadeia alimentar de vários animais já havia sido gravemente impactada, e colônias inteiras de airo-comum (Uria aalge) começaram a ficar sem comida.

As aves que não morriam de fome acabavam fracas demais para se reproduzir, e o resultado beirou a extinção total da espécie: 62 mil aves mortas em um único ano e 4 milhões durante todo o período da Bolha.

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