
Há milhares de anos, um minerador da Idade do Ferro “se aliviou” em um local onde hoje é a área de Hallstatt-Dachstein / Salzkammergut, localizada na Áustria. O que ele nunca poderia imaginar é que o local se tornaria propriedade científica no futuro, permitindo que os pesquisadores descobrissem que os europeus comiam queijo azul e bebiam cerveja há 2.700 anos.
Publicado a revista Current Biology, os autores do estudo revelam que as fezes permaneceram preservadas nas minas de sal pré-históricas da região nos últimos milênios. Através de uma série de técnicas analíticas, eles conseguiram identificar os micróbios, proteínas e DNA presentes nas amostras.
Com isso, a equipe mapeou um quadro da dieta das pessoas que viveram na ‘Idade do Ferro’, bem como a composição de suas bactérias intestinais. A alimentação era rica em carboidratos e em fibras, consistindo em grande parte de farelo não processado que provavelmente eram consumidos “em uma espécie de mingau”.
Portanto, os autores observaram através das fezes que o microbioma intestinal dos antigos mineiros se assemelhava muito ao dos modernos não ocidentais, em que a dieta geralmente consiste em frutas frescas, vegetais e outros alimentos minimamente processados.
Ao comparar essas amostras com aquelas produzidas por humanos mais recentes, eles sugerem que “o microbioma intestinal humano industrializado divergiu de um estado ancestral, provavelmente devido ao estilo de vida mais moderno, dieta ou avanços médicos.”
As descobertas mais impressionantes surgiram quando os pesquisadores direcionaram a análise para incluir fungos e detectaram altas concentrações de espécies como Penicillium roqueforti e Saccharomyces cerevisiae, que são usadas na produção de queijo azul e cerveja, respectivamente.
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