Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 1 de setembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Filhotes de ratos espaciais respondem se a fertilidade é afetada fora da Terra

Filhotes de ratos espaciais respondem se a fertilidade é afetada fora da Terra

Com o avanço dos programas espaciais e o desgaste crescente do nosso planeta, a ideia de viver fora da Terra tem deixado de ser apenas ficção científica. No entanto, voar pelo espaço não é simples: mudanças na gravidade, alterações no ciclo do sono e a exposição à radiação podem provocar sérios efeitos no corpo humano, como perda de massa muscular, redução da densidade óssea e até riscos para a reprodução.

Entender como as viagens espaciais afetam as células germinativas (responsáveis por gerar óvulos e espermatozoides) é essencial. Qualquer dano nessas células pode ser transmitido às futuras gerações, colocando em risco a saúde de descendentes. 

Diversas pesquisas comprovam anormalidades em células-tronco embrionárias expostas ao espaço, mas as causas ainda não eram totalmente compreendidas.

Foi pensando nisso que cientistas da Universidade de Kyoto, no Japão, decidiram investigar os impactos nos espermatozoides em formação. Para o estudo, eles utilizaram células-tronco de camundongos, que possuem um ciclo reprodutivo bem mais curto que o dos humanos. A ideia era avaliar se a exposição ao ambiente espacial poderia comprometer a fertilidade.

As células foram congeladas e enviadas à Estação Espacial Internacional (ISS), onde ficaram guardadas em um freezer por seis meses. De volta ao Japão, as amostras foram descongeladas, cultivadas em laboratório e depois transplantadas em testículos de camundongos. Três a quatro meses depois, nasceram filhotes saudáveis, obtidos por reprodução natural.

A análise mostrou que os camundongos apresentavam desenvolvimento normal e não exibiam alterações genéticas. Isso sugere que, pelo menos durante seis meses, é possível preservar a fertilidade das células germinativas mesmo após o período no espaço. Os resultados foram publicados na revista Stem Cell Reports.

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