Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 28 de janeiro de 2025 · 2 min de leitura ·

Flechas envenenadas: evidência de 7.000 anos encontrada

Flechas envenenadas: evidência de 7.000 anos encontrada

Arqueólogos fizeram uma descoberta intrigante no sítio arqueológico Kruger Cave, localizado na África do Sul, em 1983. Durante as escavações, encontraram um fêmur de antílope com 7.000 anos que apresentava marcas peculiares. O exame de raios-X revelou três pontas de flechas inseridas com precisão na cavidade do osso. Essa técnica sugeria métodos avançados de caça para a época.

O material permaneceu guardado por quase 40 anos no Departamento de Arqueologia da Universidade de Witwatersrand. Em 2022, novos estudos na caverna das montanhas Magaliesberg reacenderam o interesse dos pesquisadores pelos artefatos.

O Prof. Matthew Sponheimer, da Universidade de Johannesburgo, liderou as novas análises. ‘Suspeitávamos que o osso guardava mais do que sedimentos e medula degradada’, explicou o arqueólogo. Sua equipe havia analisado anteriormente um recipiente medicinal de 500 anos no Cabo Oriental. Eles decidiram aplicar métodos similares ao fêmur da Kruger Cave. Os testes identificaram uma mistura complexa de toxinas: dois compostos de origem vegetal e vestígios de um terceiro componente.

A equipe realizou uma nova análise do fêmur usando microtomografia computadorizada (micro-CT). Essa técnica moderna reconstrói objetos em 3D com alta resolução. As antigas imagens dos anos 1980 não mostravam muitos detalhes, mas o novo exame revelou descobertas surpreendentes. Os pesquisadores identificaram na cavidade medular uma matriz diferente dos depósitos arqueológicos comuns. Esse material estranho sugeriu uma possível relação com o uso das flechas.

Os cientistas retiraram uma amostra para análises químicas detalhadas. Os testes detectaram dois glicosídeos cardíacos tóxicos: digitoxina e estrofantidina. Essas substâncias afetam o funcionamento do coração e eram usadas como veneno em flechas ao longo da história. A análise também encontrou ácido ricinoleico, um indicador da degradação da ricina, outro composto altamente tóxico.

Os compostos descobertos vêm de plantas diferentes, o que revela um dado importante: os caçadores pré-históricos combinavam várias espécies vegetais para criar seu veneno. Eles dominavam técnicas complexas na preparação de substâncias letais para caça.

Compartilhe