Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 1 de abril de 2024 · 2 min de leitura ·

Fome dizimou baleias-cinzentas na costa do Pacífico

Fome dizimou baleias-cinzentas na costa do Pacífico

Há quase seis anos, um grande número de baleias-cinzentas (Eschrichtius robustus) mortas começou a aparecer ao longo da costa do Oceano Pacífico da América do Norte. Esse evento intrigou cientistas e levantou várias questões sobre o que poderia estar causando tal fenômeno. Doenças? Poluição as águas? Aumento das colisões com navios? São muitas as possibilidades.

Observações revelaram que muitos desses animais estavam magros ou com ferimentos, indicando problemas graves. Alguns deles foram atacados por orcas, outros colidiram com navios ou ficaram presos em redes de pesca. No entanto, parte dessas mortes ainda permanecia um mistério.

Uma nova pesquisa publicada na quarta-feira (27) na revista PLOS One sugere uma possível causa: a escassez de alimentos nos locais de alimentação das baleias no fundo do mar, principalmente no Ártico e subártico. Ainda não está claro, porém, se essa falta de comida foi resultado de mudanças no oceano ou do aumento da competição entre as próprias baleias por recursos limitados.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) lançou uma investigação em 2019 após declarar a morte em massa das baleias um evento de mortalidade incomum (UME, na sigla em inglês). Desde então, mais de 700 baleias foram encontradas mortas em várias regiões, como México, Canadá e Califórnia. Os cientistas acreditam que o número real pode ser ainda maior, considerando que muitas delas morrem no mar e não são encontradas.

Estima-se que a população de baleias-cinzentas tenha sido reduzida pela metade durante esse evento de mortalidade. A NOAA recentemente declarou que a morte em massa terminou, mas fica o questionamento: a população de baleias-cinzentas poderá se recuperar?

Todos os anos, esses animais realizam uma jornada impressionante, percorrendo cerca de 20 mil km das águas geladas do Ártico até as águas mais quentes próximas ao México. Durante o verão, se alimentam de pequenos organismos no fundo do mar antes de retornarem ao Ártico. No entanto, durante essa migração, enfrentam vários perigos, incluindo navios, poluição, orcas e redes de pesca.

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