Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 15 de março de 2022 · 2 min de leitura ·

Fontes termais no Tibete revelam pontos de colisão entre placas continentais

Fontes termais no Tibete revelam pontos de colisão entre placas continentais

Segundo diversos estudos apontam, as placas continentais indiana e asiática colidiram – e continuam colidindo hoje – para formar as maiores e mais altas estruturas geológicas do mundo: as montanhas do Himalaia e o planalto tibetano. Apesar da importância dessas formações, que influenciam o clima global por meio da circulação atmosférica e das monções sazonais, especialistas propuseram teorias contraditórias sobre como as placas tectônicas abaixo da superfície criaram os gigantes icônicos. 

Agora, usando dados geoquímicos de 225 fontes termais do Tibete, os cientistas mapearam a fronteira entre as placas continentais indiana e asiática, lançando luz sobre os processos que ocorrem nas profundezas da superfície. As descobertas foram descritas em um artigo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.

“Um debate principal entre os geólogos é se a colisão continental se parece ou não com uma colisão oceânica”, disse o autor sênior do estudo Simon Klemperer, professor de geofísica da Escola de Ciências da Terra, Energia e Ambientais da Universidade de Stanford, nos EUA. “Como há muito poucas medições, a sismologia não estava nos dando a resposta – é por isso que adotei a geoquímica como uma maneira totalmente diferente de medir as coisas”.

Klemperer passou quase uma década indo para o Tibete e a Índia para coletar amostras que apoiassem sua teoria de que os produtos químicos borbulhando na superfície poderiam ser usados ​​para entender o que está acontecendo 80 km abaixo. Ele e sua equipe rastrearam fontes geotérmicas remotas por centenas de quilômetros através das montanhas e do planalto.

Usando o gás nobre hélio, que não reage com outros produtos químicos, os autores do estudo determinaram quais nascentes se originaram de cada placa continental. Uma assinatura de isótopo de hélio revelou quando o gás veio do manto quente – a placa asiática – enquanto uma assinatura diferente indicou a placa indiana muito mais fria. 

Segundo mostra a pesquisa, a placa mais fria só é detectada no sul, abaixo do Himalaia, enquanto mais ao norte, a Índia já não toca mais o Tibete acima dela – estão separados por uma cunha de manto quente. Os resultados indicam que uma antiga teoria de que a placa indiana fica plana abaixo do Tibete não é mais sustentável.

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