Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 11 de novembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Fóssil de vômito revela espécie de dinossauro no Nordeste do Brasil

Fóssil de vômito revela espécie de dinossauro no Nordeste do Brasil

Um fóssil de vômito encontrado no Nordeste brasileiro levou a uma descoberta rara na paleontologia mundial: o registro de uma nova espécie de pterossauro, batizada de Bakiribu waridza, que viveu há cerca de 110 milhões de anos. 

O achado, publicado na revista Scientific Reports na segunda-feira (10), marca o primeiro réptil voador filtrador já identificado nos trópicos. E o primeiro do grupo dos arqueopterodactiloides na Formação Romualdo, na Bacia do Araripe (CE). 

O material foi descrito por pesquisadores da UFRN, URCA e USP, que o identificaram numa massa de regurgitação fossilizada, o que os cientistas chamam de regurgitalite (nome formal do fóssil de vômito).

Mais do que revelar uma espécie, o estudo traz um raro retrato da cadeia alimentar do Cretáceo. Os restos do pterossauro – junto a fragmentos de peixes preservados no mesmo bloco de rocha – indicam que o animal foi devorado e depois regurgitado por um predador, possivelmente um dinossauro espinossaurídeo. 

O episódio, fossilizado ao longo de milhões de anos, transformou um momento de predação numa cápsula de tempo que hoje ajuda a recontar a história da vida no antigo ecossistema tropical do Araripe.

O fóssil que levou à descoberta estava guardado há décadas no acervo do Museu Câmara Cascudo, em Natal (RN), catalogado apenas como “peixe indeterminado”. 

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