
Os planos da NASA de estabelecer uma presença humana permanente na Lua podem representar muito mais do que um desafio tecnológico. Segundo especialistas ouvidos pela Newsweek, viver por longos períodos na superfície lunar poderá provocar mudanças profundas na forma como as pessoas pensam, sentem e se relacionam, em um cenário marcado pelo isolamento, confinamento e distância da Terra.
Embora a permanência na Lua possa abrir novas possibilidades para a exploração espacial e o desenvolvimento humano, neurocientistas e psiquiatras afirmam que a experiência também poderá expor os moradores a riscos significativos para a saúde mental, exigindo novas estratégias de adaptação.
Embora as medidas adotadas na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) tenham sido, em grande parte, eficazes para reduzir esses riscos, a NASA alerta que missões além da órbita baixa da Terra enfrentarão dificuldades maiores, já que os sistemas tradicionais de apoio aos astronautas serão mais difíceis de implementar.
Um estudo liderado pela própria agência e publicado em novembro de 2024 na revista Frontiers in Physiology analisou astronautas que permaneceram seis meses na ISS. A pesquisa concluiu que, apesar de o desempenho cognitivo permanecer estável de forma geral, houve períodos de redução na velocidade de processamento, atenção e memória de trabalho durante as missões.
Para o psiquiatra e neurocientista Dave Rabin, autor do livro A Simple Guide to Being Alive, viver durante longos períodos na Lua colocaria o sistema nervoso humano sob uma pressão sem precedentes. “Uma estadia lunar de longo prazo desafiaria o sistema nervoso de uma das formas mais fundamentais possíveis”, afirmou à Newsweek.
Segundo Rabin, os seres humanos evoluíram em ambientes marcados pela luz solar, gravidade terrestre, paisagens naturais e convivência social. A ausência prolongada desses elementos poderia aumentar o risco de insônia, ansiedade, depressão, irritabilidade e dificuldades cognitivas.
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