Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 8 de março de 2022 · 2 min de leitura ·

Fóssil revela espécie de tartaruga que sobreviveu à extinção dos dinossauros

Fóssil revela espécie de tartaruga que sobreviveu à extinção dos dinossauros

Um fóssil descoberto na Transilvânia, Romênia, na década de 1990, levou à classificação de uma nova espécie de tartaruga – e de acordo com a estimativa de idade do material, a Dortooka vremiri, de pouco mais de 19 centímetros (cm), provou que tamanho não é documento e sobreviveu até ao evento de extinção dos dinossauros.

O fóssil foi descoberto em um sítio de pesquisa chamado “Bacia de Hateg” e, embora não seja completo, é bem consistente: cientistas encontraram partes grandes da carapaça e do plastrão – respectivamente, as partes mais alta e mais baixa que compõem o casco do animal. Também foi descoberto um osso de uma das patas dianteiras e outro de sua pélvis.

Com base no material obtido é que os cientistas determinaram o tamanho da D. vremiri, assim chamada em homenagem a Mátyás Vremiri, expert em vertebrados do período cretáceo, falecido em 2020 (talvez “pet do Drácula” estivesse reservado?).

A D. vremiri é uma espécie precursora das tartarugas pleurodiras, um tipo de réptil que, para esconder a cabeça dentro do casco, deve entortar seu pescoço para um lado – alguns jabutis, cágados e outros animais do tipo normalmente conseguem entrar e sair do casco em um movimento reto, partindo da coluna.

Os cientistas que classificaram a espécie estimam que o fóssil tenha entre 70 milhões e 50 milhões de anos – o que o colocaria dentro do chamado “Evento de Extinção do Cretáceo-Paleogênico” – aquele que conhecemos com maior profundidade, quando um asteroide de 10km a 15km de diâmetro bateu em cheio na Terra, matando 75% de todas as espécies do planeta.

“É intrigante porque membros da mesma família de tartarugas no oeste europeu não sobreviveram ao mesmo evento”, disse Felix Augustin, estudante de doutorado da Universidade de Tübingen, na Alemanha, e co autor de um paper detalhando a descoberta. Segundo ele, é provável que o habitat desta tartaruga – majoritariamente, locais de água doce – a ajudou a sobreviver quando seus parentes terrestres não conseguiram.

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