Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 2 de dezembro de 2021 · 2 min de leitura ·

Foto de serpente no Instagram leva ao descobrimento de nova espécie

Foto de serpente no Instagram leva ao descobrimento de nova espécie

Uma foto publicada no Instagram do estudante Virendar K. Bhardwaj fez com que uma nova espécie de serpente fosse descoberta em Chamba, no distrito de Himachal Pradesh, no norte da Índia e próximo ao Himalaia.

O universitário estava em casa devido à quarentena da Covid-19 imposta pelo governo do país e, para passar o tempo, começou a fotografar tudo o que encontrava em seu quintal – incluindo o animal na imagem abaixo, do gênero Oligodon. A imagem chamou a atenção de Zeeshan A. Mirza, biólogo especializado em répteis do Centro Nacional de Ciências Biológicas de Bangalore.

A serpente em questão é conhecida em inglês como “kukri snake”, devido às suas presas curvadas que se assemelham a um tipo de faca (kukri) muito comum na Índia. À primeira vista, o animal parece um exemplar comum (Oligodon arnensis), mas Mirza conseguiu perceber algumas características diferentes, chegando à conclusão de que se tratava de uma nova espécie, batizada de Oligodon churahensis.

A imagem foi originalmente publicada na rede social em junho deste ano, mas só agora, com algumas restrições da pandemia sendo aliviadas é que Mirza, junto do também biólogo Harshil Patel, conseguiram analisar o espécime. Segundo Bhardwaj, ele conseguiu encontrar dois indivíduos, o que facilitou o trabalho dos biólogos.

“Já é bem interessante ver como uma imagem no Instagram nos levou à descoberta de uma serpente tão bonita que, até recentemente, permaneceu escondida do mundo”, disse Mirza. “Mas o mais interessante mesmo é que foi a exploração de um simples quintal que nos levou à documentação dessa espécie. Ultimamente, as pessoas adquiriram o hábito de viajar para ‘hotspots biológicos’ para encontrar espécies novas ou raras de animais, mas se olharmos com cuidado para os nossos quintais, podemos encontrar coisas interessantes por aqui mesmo”.

O biólogo também explicou que, comparado a outras partes do mundo, o oeste do Himalaia é relativamente não explorado, e serve de casa para diversas espécies de animais ainda não descobertas ou das quais sabemos muito pouco.

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