Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 18 de novembro de 2021 · 2 min de leitura ·

Fragmentos do satélite russo Cosmos 1408 podem causar risco de colisões por décadas, diz relatório

Fragmentos do satélite russo Cosmos 1408 podem causar risco de colisões por décadas, diz relatório

A destruição do satélite soviético Cosmos 1408 por um míssil anti-satélite russo, ocorrida na última segunda-feira (15), está dando o que falar. Embora os russos garantam que “os fragmentos resultantes não representam qualquer ameaça às atividades espaciais”, a situação parece ser bem mais séria do que deixam transparecer. Algo que fica evidente com uma análise recém-divulgada pela empresa LeoLabs, especializada em segurança e monitoramento da órbita baixa da Terra (LEO, Low Earth Orbit).

Antes de mais nada, a empresa afirma que a maior parte das informações necessárias para recriar simulações precisas do evento provavelmente nunca estará disponível, portanto ele tem de ser estudado com base em observações empíricas dos fragmentos e “regras gerais” desenvolvidas durante a análise de eventos similares no passado.

Mais especificamente, a LeoLabs cita como parâmetros a colisão entre o Iridium 33 e Cosmos 2251, em 2009, e um teste de arma antissatélite (ASAT) chinês que destruiu o satélite Fengyun 1C em 2007.

E a empresa é categórica em afirmar: “Haverá algum risco potencial de colisão para a maioria dos satélites em órbita baixa da Terra devido à fragmentação do Cosmos 1408 durante os próximos anos ou décadas”.

“Embora qualquer teste ASAT seja uma ideia terrível, este ocorreu em uma das piores órbitas possíveis”, diz o relatório. “Este satélite estava em uma órbita de alta inclinação, a uma altitude que o colocava bem no meio de muitos outros ativos operacionais; notavelmente, estava a menos de 100 km acima da Estação Espacial Internacional e a menos de 100 km abaixo de várias constelações comerciais, incluindo a frota Starlink da SpaceX”. 

Além disso, o Cosmos 1408 era um satélite de grande porte, com peso estimado em 2.200 kg. Ou seja, tem material suficiente para gerar muitos e muitos destroços. Quantos? O 18º Esquadrão de Controle Espacial dos EUA afirma ter rastreado mais de 1.500.

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