Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 1 de agosto de 2026 · 2 min de leitura ·

Fungo que transforma formigas em “zumbis” também vive em musgos da Amazônia

Fungo que transforma formigas em "zumbis" também vive em musgos da Amazônia

Uma equipe de pesquisadores liderada pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) encontrou evidências de que o fungo conhecido por controlar o comportamento de formigas e transformá-las em “zumbis” possui uma fase até então desconhecida de seu ciclo de vida. O estudo identificou que organismos do gênero Ophiocordyceps também vivem escondidos no interior de musgos da Floresta Amazônica, além de infectarem insetos.

A descoberta foi feita a partir da análise de amostras coletadas na Reserva Florestal Adolpho Ducke, em Manaus, e foi publicada na revista científica IMA Fungus. Segundo os pesquisadores, o resultado amplia a compreensão sobre a biologia desses fungos e indica que a relação entre fungo, inseto e planta é mais complexa do que se imaginava.

O gênero Ophiocordyceps reúne mais de 350 espécies de fungos capazes de infectar diversos insetos. Algumas delas são conhecidas por alterar o comportamento de formigas, levando os animais a abandonar a colônia, subir na vegetação e prender as mandíbulas em um ponto específico antes de morrerem. Esse comportamento, chamado de “mordida da morte”, favorece a dispersão dos esporos do fungo.

Ao analisar o DNA de musgos coletados na floresta, os cientistas encontraram o mesmo fungo presente tanto nos insetos infectados quanto nas plantas onde essas formigas realizam a mordida característica. A evidência indica que o organismo possui duas fases distintas: uma parasitando insetos e outra vivendo de forma endofítica, ou seja, dentro dos tecidos das plantas.

Em 2020, pesquisas realizadas na China já haviam demonstrado que uma espécie do mesmo gênero, O. sinensis, conhecido como “ouro do Himalaia”, podia viver de forma endofítica em plantas de regiões alpinas. O novo trabalho mostra que esse comportamento também ocorre em espécies capazes de manipular insetos, associando esse estágio oculto justamente às plantas utilizadas pelas formigas durante a infecção.

A pesquisa utilizou a técnica de metabarcoding, que permite identificar simultaneamente o DNA de todos os fungos presentes em uma amostra ambiental.

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