Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 21 de maio de 2025 · 2 min de leitura ·

Geleira símbolo da Patagônia perde 2 km em sete anos e preocupa cientistas

Geleira símbolo da Patagônia perde 2 km em sete anos e preocupa cientistas

A geleira Perito Moreno, localizada no sul da Argentina, próxima à fronteira com o Chile, é uma das paisagens naturais mais conhecidas da América do Sul. Com 260 km² de área, ela atrai centenas de milhares de turistas por ano. Em 2024, mais de 700 mil pessoas passaram pelas passarelas do Parque Nacional Los Glaciares para admirar essa imensa muralha de gelo – que vem diminuindo significativamente.

Neste ano, os visitantes notaram algo alarmante: grandes blocos de gelo se desprenderam e chegaram a bloquear temporariamente o píer de onde saem os barcos. Essas quebras são comuns, mas o tamanho dos icebergs chamou a atenção. Para os cientistas, isso é um sinal claro de que a geleira mais famosa da Patagônia está perdendo massa de forma acelerada.

Até 2018, Perito Moreno era uma geleira estável. Ela ganhava gelo nas partes mais altas e perdia na base, mas esses dois processos se equilibravam. A partir do ano passado, porém, esse equilíbrio se rompeu. Desde então, a geleira começou a recuar. Suas margens encolheram cerca de dois quilômetros e sua altura vem diminuindo rapidamente.

O engenheiro geofísico Pedro Skvarca, de 81 anos, que estuda a geleira há mais de três décadas, foi um dos primeiros a alertar que o Perito Moreno estava mudando. Segundo ele, o aumento da temperatura provocado pelas mudanças climáticas é a principal causa. “Com o clima mais quente, há mais derretimento e mais água sob a geleira, que se move mais rápido e afina”, explicou o cientista ao jornal El País.

Lucas Ruiz, geólogo especialista em glaciares, confirma que o Perito Moreno não escapa da tendência global de retração das geleiras. Por mais de um século, ele foi uma exceção ao acumular gelo suficiente para compensar as perdas. Agora, isso mudou. A quantidade de gelo que se perde é maior do que a que se forma.

Essa geleira começa no Campo de Gelo Patagônico Sul e avança lentamente até o Lago Argentino. Em sua parte central, se move cerca de dois metros por dia. Mas, mesmo se deslocando, está perdendo volume mais rápido do que consegue repor. O afinamento do gelo é visível a olho nu, especialmente na frente, onde há um paredão de cinco km de largura e mais de 60 metros de altura.

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