Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 19 de junho de 2024 · 2 min de leitura ·

Grande Mancha Vermelha de Júpiter: um mistério desvendado por pesquisadores

Grande Mancha Vermelha de Júpiter: um mistério desvendado por pesquisadores

A Grande Mancha Vermelha que vemos atualmente em Júpiter não é a mesma observada por astrônomos – Galileo Galilei, Giovanni Domenico Cassini, Robert Hooke – no século 17. É o que dizem pesquisadores num estudo, revisado por pares, publicado nesta semana.

Naquela mancha, ocorre uma tempestade gigantesca – para você ter ideia, o diâmetro da mancha é semelhante ao da Terra. Quando Cassini a observou, em meados de 1660, a chamou de “Mancha Permanente”. Mas ela não é tão permanente assim.

Com base nas medições de tamanhos e movimentos, deduzimos que é altamente improvável que a atual Grande Mancha Vermelha seja a ‘Mancha Permanente’ observada por Giovanni Domenico Cassini. A ‘Mancha Permanente’ provavelmente desapareceu em algum momento entre meados do século XVIII e XIX; nesse caso, podemos agora dizer que a longevidade da Mancha Vermelha excede 190 anos.

A “Mancha Permanente” de Cassini durou de 1600 até cerca de 1713, quando astrônomos aparentemente perderam o rastro dela. Só mais de 100 anos depois, em 1831, astrônomos voltaram a notar a tempestade oval aproximadamente na mesma latitude da antiga Mancha Permanente.

Desde então, especialistas se perguntam se esta era a mesma mancha ou uma diferente que teria surgido na mesma localização. E é esse questionamento que o estudo liderado por Sánchez-Lavega, publicado nesta semana no Geophysical Research Letters, responde. “Outros [pesquisadores] antes de nós exploraram essas observações [de Cassini], e agora quantificamos os resultados”, diz o autor principal do estudo.

Os pesquisadores usaram modelagem computacional para analisar o comportamento de vórtices finos na atmosfera de Júpiter. A modelagem mostrou que anticiclones de supertempestades ou fusões resultariam em propriedades diferentes das da Grande Mancha Vermelha que vemos hoje.

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