
Cientistas observaram um fenômeno raríssimo nas florestas de Uganda: uma “guerra civil” em larga escala entre chimpanzés (Pan troglodytes). O estudo detalha a fragmentação do grupo Ngogo, a maior comunidade de chimpanzés selvagens conhecida, que se dividiu em duas facções inimigas após décadas de convivência pacífica.
O conflito resultou em uma série de ataques brutais que desafiam as teorias tradicionais sobre a origem da guerra. Diferente dos humanos, esses primatas não brigam por religião ou ideologia, mas a dinâmica de suas relações sociais foi suficiente para desencadear um banho de sangue.
A pesquisa, liderada por Aaron Sandel, da Universidade do Texas, em Austin, utilizou 30 anos de observações para mapear a transição. De acordo com o Science Alert, essa descoberta contribui para um debate que dura décadas: nos anos 70, Jane Goodall notou algo similar na Tanzânia, mas críticos sugeriram na época que as batalhas só ocorreram devido à oferta de comida artificial durante a pesquisa.
No caso de Ngogo, o racha foi espontâneo. Até 2014, os cerca de 200 chimpanzés formavam uma única comunidade coesa. No entanto, em 2015, os cientistas detectaram uma mudança abrupta: o grupo começou a se polarizar em dois aglomerados, os grupos Ocidental e Central.
A violência que se seguiu à separação foi sem precedentes. Entre 2018 e 2024, o grupo Ocidental (curiosamente o menor em número) realizou incursões constantes no território do grupo Central.
Muitas das vítimas eram indivíduos com quem os agressores costumavam caçar, catar piolhos e patrulhar o território anos antes.
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