Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 18 de novembro de 2024 · 2 min de leitura ·

Hubble observa a Via Láctea sugando gás de galáxia satélite

Hubble observa a Via Láctea sugando gás de galáxia satélite

A Via Láctea tem como vizinhas as galáxias anãs Grande Nuvem de Magalhães (LMC) e Pequena Nuvem de Magalhães (SMC), que são gravitacionalmente vinculadas a ela, sendo, por isso, consideradas seus satélites.

Em galáxias típicas, as estrelas se concentram no centro, formando um núcleo brilhante. À medida que se afasta do centro, a densidade estelar diminui e eventualmente desaparece. No entanto, além das estrelas visíveis, existe um halo de gás, poeira e estrelas errantes que se estende muito além dos centros galácticos. Esse fenômeno também ocorre na LMC e na SMC.

Um novo estudo, realizado com base em observações ultravioletas do Telescópio Espacial Hubble, da NASA, revelou que o halo da LMC é significativamente menor do que o esperado para galáxias de massa semelhante. Isso sugere que a Via Láctea teria “sugado” parte do material da LMC no passado, provavelmente durante uma interação gravitacional. 

Andrew Fox, principal autor do artigo (já aceito para publicação pelo periódico científico The Astrophysical Journal Letters e disponível em versão pré-impressão no repositório online arXiv, descreve a Grande Nuvem de Magalhães como uma “sobrevivente”. 

Em um comunicado, ele explicou que, apesar de ter perdido grande parte de seu gás devido à interação com a Via Láctea, a LMC ainda possui o suficiente para continuar formando novas estrelas. Caso não tivesse retenção de gás, a galáxia teria se tornado uma coleção de estrelas antigas e vermelhas, incapaz de gerar novas estrelas.

Segundo a pesquisa, a LMC conseguiu preservar uma “bolha compacta” de material essencial para a formação estelar. A preservação de uma fração de seu halo, cerca de 10% de seu material original, foi possível devido à sua alta massa, que a ajudou a manter parte do gás mesmo após a interação catastrófica com a Via Láctea.

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