
Calma! Não mudamos o nosso nicho de Ciência e Tecnologia para a área sobrenatural. As “almas perdidas” descobertas pelo Telescópio Espacial Hubble vagando entre galáxias não se referem a nenhum tipo de fantasma, mas, sim, a estrelas errantes sem qualquer vínculo galáctico.
Isso quer dizer que essas estrelas não estão gravitacionalmente ligadas a nenhuma das milhares de galáxias pertencentes aos dez aglomerados gigantes analisados pelo Hubble em um estudo conduzido por James Jee, um pesquisador da Universidade Yonsei, em Seul, na Coreia do Sul.
Uma dúvida incômoda para os astrônomos tem sido: como essas estrelas ficaram tão espalhadas por todo o aglomerado? Entre as várias teorias sobre o assunto, existe a possibilidade de que as estrelas teriam se destacado após fusões de duas ou mais galáxias ou que já estivessem presentes no início dos anos de formação dos aglomerados há muitos bilhões de anos.
Na pesquisa liderada por Jee, foram analisados dados infravermelhos do Hubble à procura da chamada “luz intra-aglomerado”. As observações sugerem que essas estrelas estão vagando por bilhões de anos e não são produtos de qualquer atividade dinâmica mais recente dentro de um aglomerado de galáxias que pudesse tê-las destacado.
Os 10 aglomerados de galáxias examinados estão, em média, a quase 10 bilhões de anos-luz de distância da Terra. Essas medições devem ser feitas a partir do espaço porque a luz fraca intra-aglomerado é 10 mil vezes mais fraca do que o céu noturno visto do solo.
A pesquisa revela que a fração da luz intra-aglomerado em relação à luz total no aglomerado permanece constante, olhando ao longo de bilhões de anos de volta no tempo. “Isso significa que essas estrelas já estavam desabrigadas nos estágios iniciais da formação do aglomerado”, disse James Jee. O estudo foi publicado nesta quarta-feira (4), na revista científica Nature.
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