Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 4 de agosto de 2025 · 2 min de leitura ·

Humanos têm genes da hibernação – e eles podem tratar doenças

Humanos têm genes da hibernação – e eles podem tratar doenças

Pesquisadores da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, identificaram um conjunto de genes presentes em mamíferos que hibernam, e que também existem em seres humanos. Segundo os cientistas, esse material genético pode, no futuro, ser usado em tratamentos médicos, especialmente para condições como diabetes tipo 2 e lesões neurológicas.

A descoberta foi detalhada em dois estudos (aqui e aqui) publicados na última quinta-feira (31) na revista Science. Os trabalhos investigaram como genes relacionados à hibernação são ativados e desativados, e como eles influenciam o metabolismo, o comportamento e a proteção do sistema nervoso.

“A hibernação oferece um conjunto de ‘superpoderes’ biometricamente importantes”, disse Christopher Gregg, professor de genética humana da Universidade de Utah e autor sênior da pesquisa, ao site Live Science.

Animais que hibernam, como os esquilos terrestres, conseguem ajustar seu metabolismo de forma extrema. Antes de hibernar, desenvolvem uma resistência à insulina que permite o rápido acúmulo de gordura — e depois, ao entrar na hibernação, essa condição desaparece gradualmente. Para Gregg, entender esse mecanismo pode ser útil no tratamento da resistência à insulina em humanos.

Além disso, esses animais conseguem proteger o cérebro contra danos causados por mudanças bruscas no fluxo sanguíneo, algo que normalmente levaria a eventos como o AVC. “Quando eles saem da hibernação, o cérebro volta a ser irrigado com sangue. Em humanos, isso causaria muitos danos, mas eles desenvolveram formas de evitar esse problema”, afirmou Gregg.

A pesquisa se concentrou em um conjunto de elementos genéticos reguladores, chamados CREs, localizados próximos ao chamado FTO locus — um agrupamento de genes associado ao controle do metabolismo e ao risco de obesidade. Esses elementos não codificam proteínas, mas regulam genes que o fazem.

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