Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 13 de agosto de 2025 · 2 min de leitura ·

Idade Média: Análises de DNA surpreendem arqueólogos na Inglaterra

Idade Média: Análises de DNA surpreendem arqueólogos na Inglaterra

Dois indivíduos que viveram na Inglaterra durante a Alta Idade Média tinham ancestrais vindos da África Subsaariana, provavelmente de um avô ou avó, segundo uma nova análise de DNA. A descoberta, publicada na revista Antiquity, traz evidências genéticas que conectam o sul da Grã-Bretanha medieval a populações da África Ocidental.

As conclusões foram apresentadas por uma equipe de pesquisadores liderada por Duncan Sayer, arqueólogo histórico da Universidade de Lancashire, no Reino Unido. “O DNA mostra que existe uma conexão humana, além da material, que se estende até a África Ocidental”, afirmou Sayer ao Live Science.

Os arqueólogos identificaram dois enterramentos datados do século VII, período posterior à queda do Império Romano e marcado pela presença de povos anglo-saxões na ilha. Um deles é de uma adolescente encontrada no cemitério de Updown, em Kent, e o outro de um jovem sepultado em Worth Matravers, em Dorset — ambos no sul da Inglaterra.

Pesquisas anteriores com DNA de outros sepultados nesses locais indicavam ancestralidade predominantemente norte-europeia ou das Ilhas Britânicas e Irlanda. No entanto, a análise do DNA da adolescente de Updown revelou um perfil genético vindo de um continente diferente. O mesmo padrão foi identificado no jovem de Worth Matravers, segundo os dois estudos publicados nesta quarta-feira (13).

A investigação mostrou que o DNA mitocondrial, transmitido pela mãe, indica origem no norte da Europa para ambos. Porém, o DNA autossômico, responsável por características herdadas de ambos os pais, apontou entre 20% e 40% de ascendência típica da África Subsaariana. No caso da jovem de Updown, houve afinidade genética com grupos contemporâneos como Yoruba, Mende, Mandenka e Esan.

Modelos estatísticos sugerem que cada um desses indivíduos tinha um avô ou avó com ascendência africana, possivelmente de populações que deixaram a região entre meados do século VI e o início do século VII.

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