Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 31 de julho de 2024 · 2 min de leitura ·

Ideias para transformar gelo da Lua em água potável valem dinheiro

Ideias para transformar gelo da Lua em água potável valem dinheiro

Como se sabe, a humanidade está prestes a retornar à Lua por meio das missões Artemis, da NASA, e, desta vez, o local de pouso é o polo sul lunar, uma região promissora pela presença de gelo de água, essencial para futuras missões de longa duração. 

Espera-se que a água da Lua não apenas possa ser consumida, como também decomposta em oxigênio e hidrogênio, fornecendo ar respirável e combustível. No entanto, transformar o gelo lunar em água utilizável é um desafio complexo.

Pensando nisso, foi lançado o Aqualunar Challenge (Desafio Aqualunar), uma iniciativa conjunta entre as agências espaciais do Reino Unido e do Canadá. O objetivo é descobrir métodos viáveis para que futuros astronautas convertam o gelo lunar em água líquida. Recentemente, os organizadores anunciaram os dez finalistas do Reino Unido, cada um com uma proposta inovadora.

A tarefa não é simples. O gelo lunar está misturado com regolito, uma camada de poeira e fragmentos rochosos. Ao derreter, essa mistura cria uma pasta arenosa que precisa ser purificada. Além disso, as tecnologias devem suportar as condições extremas do polo sul lunar, como o frio intenso e as partículas de poeira afiadas, tudo isso mantendo a massa mínima e necessitando de pouca manutenção.

“Os astronautas não podem depender de componentes enviados da Terra e não será possível trocar filtros ou apertar parafusos regularmente”, destacou Meganne Christian, astronauta reserva da Agência Espacial do Reino Unido (UKSA) e uma das juízas do desafio.

Entre os finalistas, há abordagens variadas e criativas. O projeto Lunasonic, por exemplo, derrete o gelo e utiliza ondas de ultrassom para purificação, semelhante a um limpador de joias. Já o Purificador de Plasma de Gelo Regolito para Exploração Lunar (RIPPLE) vaporiza o gelo, empurrando-o para um vórtice que remove poluentes, similar a um centrifugador de salada. Outra proposta, o Cálice de Ganimedes, usa espelhos para concentrar a luz solar em um crisol (refratário resistente a temperaturas elevadas) de gelo, fervendo os contaminantes sucessivamente até restar água limpa.

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