
Anjouan, uma ilha vulcânica localizada no sudoeste do Oceano Índico, apresenta um enigma geológico extraordinário: a existência de um tipo de rocha que desafia a lógica.
Essa ilha surgiu quando placas tectônicas se afastaram umas das outras e o magma se espalhou e resfriou, formando basalto. Ocorre que esse minério elementar da ilha não contém quartzo, e ela é muito jovem para ter formado um delta de rio substancial.
Sendo assim, ninguém consegue explicar a presença de quartzito de rocha sedimentar no local, um tipo de arenito feito de grãos de areia de quartzo coletados em deltas de rios, que são comprimidos ao longo do tempo.
Há mais de um século, essas rochas “impossíveis” são encontradas na ilha – sem que haja qualquer justificativa para isso.
Em 1900, indícios de rochas que poderiam ser quartzito foram relatados, embora a documentação fosse insuficiente para confirmar. Quase 70 anos mais tarde, geólogos encontraram uma vasta formação de arenito que, posteriormente, foi identificada como quartzito. Então, em 2017, o geólogo francês Patrique Bachèlery identificou mais ocorrências de quartzito em uma crista adjacente.
Algum tempo depois, Cornelia Class, geoquímica do Observatório Terrestre Lamont-Doherty da Universidade de Columbia, nos EUA, iniciou uma investigação minuciosa sobre o caso. Não demorou para que sua equipe encontrasse quantidades significativas de quartzito ao longo da cordilheira. “Isso desafia os princípios das placas tectônicas”, disse Class em um comunicado. “Os depósitos de quartzito não têm cabimento em ilhas vulcânicas”.
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