Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 11 de março de 2022 · 2 min de leitura ·

Impacto de cratera na Groenlândia veio bem antes da chegada dos humanos, confirma estudo

Impacto de cratera na Groenlândia veio bem antes da chegada dos humanos, confirma estudo

Um novo estudo desmente uma conhecida teoria, que afirmava que a Cratera Hiawatha, na Groenlândia, foi criada após a chegada do homem pré-histórico. Bem, a resposta definitiva para isso é “não”: na verdade, a marca do impacto de um meteorito contra a superfície da Terra é bem mais antiga, aparecendo pouco depois da extinção dos dinossauros.

A pesquisa foi conduzida por um time internacional de cientistas baseados na Dinamarca e na Suécia. A dúvida residia no fato de que a cratera, descoberta em 2015, estava sob o gelo da Groenlândia, o que dificultava o projeto de estimativa de idade do impacto. A primeira especulação falava em ocorrência de 13 mil anos atrás – um tempo onde os humanos já estavam há muito presentes e estabelecidos.

A realidade, porém, é outra: a Cratera Hiawatha tem, na verdade, cerca de 58 milhões de anos.

“Estabelecer a idade da cratera tem sido um obstáculo particularmente difícil de superar, então é muito satisfatório que dois laboratórios da Dinamarca e Suécia, usando diferentes métodos, chegaram à mesma conclusão”, disse Michael Storey do Museu de História Natural da Dinamarca. “Assim sendo, estou convencido de que determinamos a idade real da cratera, a qual é muito mais antiga do que se pensava”.

Na época do impacto, a região ártica era incrivelmente diferente da paisagem de gelo eterno pela qual a conhecemos hoje: ali, viviam imensas florestas temperadas, vida selvagem adaptada a climas mais amenos e temperaturas diárias na média dos 20º C (Celsius) eram a norma. O planeta ainda lidava com alguns efeitos do asteroide  (ou cometa) que se chocou com a superfície no atual México – o mesmo que matou os dinossauros e várias outras espécies animais -, oito milhões de anos antes.

No caso da cratera da Groenlândia, um asteroide bateu contra a Terra, deixando um buraco de cerca de um quilômetro (km) de profundidade e 31 km de diâmetro. Hoje escondida sob o gelo da geleira que leva o seu nome, a área tem rios que escapam de dentro da estrutura, carregando sedimentos que foram superaquecidos no momento do choque. Esses sedimentos é que permitiram um estudo mais aprofundado da cratera.

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