
Observações em infravermelho médio e próximo do Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA, destacam características nunca antes vistas na famosa Nebulosa Cabeça de Cavalo.
Com a aplicação de 23 filtros distintos, uma equipe de astrônomos obteve uma resolução extraordinária, permitindo o rastreamento da emissão de partículas com diâmetros inferiores a 20 nanômetros. Isso inclui tanto os grãos de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos encontrados no espaço interestelar quanto a luz dispersada por grãos maiores, além do hidrogênio ionizado presente na nebulosa.
Essa combinação de características tornam a Nebulosa Cabeça de Cavalo um laboratório de excelência para estudar berçários estelares. O núcleo da nuvem é um agrupamento compacto de matéria que entrou em colapso gravitacional, abrigando estrelas em formação que estão ocultas de nossa observação direta devido à densidade de poeira presente.
No entanto, a intensa radiação proveniente das estrelas de fora da nebulosa está causando um impacto devastador em seu entorno. A luz ultravioleta de alta energia desencadeia um processo denominado fotodissociação, no qual as moléculas são fragmentadas pela intensidade dos raios, resultando em um meio interestelar majoritariamente neutro. Consequentemente, ao redor da Nebulosa Cabeça de Cavalo forma-se o que é conhecido como uma região de fotodissociação (PDR), que as imagens do JWST ajudarão a investigar.
As novas observações, reunidas em um artigo científico aceito para publicação pela revista Astronomy & Astrophysics e disponível no banco de pré-impressão arXiv, também podem explicar o processo de fotoevaporação, no qual o gás é ionizado pela luz intensa e, assim, evaporado de forma eficiente.
Até o momento, essas imagens permitiram aos cientistas identificar as estruturas em pequena escala que adornam a borda iluminada da Nebulosa Cabeça de Cavalo, além de uma rede de filamentos perpendiculares à frente da PDR. Essa rede contém poeira e gás que participam do fluxo fotoevaporativo.
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