Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 2 de junho de 2025 · 2 min de leitura ·

James Webb descobre origem de um dos mundos mais extremos já observados

James Webb descobre origem de um dos mundos mais extremos já observados

Um artigo publicado nesta segunda-feira (2) na Nature Astronomy traz novas pistas sobre a origem de Tylos, também conhecido como WASP-121b, um dos mundos mais extremos já observados. Esse exoplaneta gigante gasoso, situado a 880 anos-luz da Terra, está tão perto da estrela hospedeira que sua atmosfera ferve com nuvens de metal vaporizado. 

Agora, cientistas conseguiram identificar os blocos de construção que deram origem ao planeta alienígena, compostos por pequenas pedras e poeira que sobraram do nascimento da estrela.

Usando o Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA, a equipe detectou na atmosfera de Tylos várias moléculas, incluindo monóxido de silício – um indicativo de rocha vaporizada – além de água, metano e monóxido de carbono. Esses elementos ajudam a traçar a história do planeta, revelando onde ele se formou e como cresceu. O estudo foi liderado por Thomas Evans-Soma, da Universidade de Newcastle, na Austrália.

Tylos tem 1,75 vez o tamanho de Júpiter, mas apenas 1,16 vez sua massa, o que significa que é mais “fofo” e inchado. Ele completa uma volta ao redor da estrela Dilmun a cada 30 horas, uma órbita extremamente próxima e quente. Essa proximidade faz com que sua atmosfera esteja evaporando, expandida pelo calor intenso, o que facilita a observação com telescópios.

Durante sua órbita, Tylos passa na frente de sua estrela, permitindo que parte da luz atravesse sua atmosfera. Essa luz muda ao passar pelas moléculas do planeta, e os astrônomos analisam essas alterações para descobrir que substâncias estão presentes por lá. Esse método tem ajudado a tornar Tylos um dos exoplanetas mais bem estudados da galáxia.

Tylos pertence a uma classe chamada “Júpiter quente”, que inclui planetas gigantes que orbitam muito perto de suas estrelas. Mas isso levanta um problema: tão próximos, eles não teriam como se formar ali, já que o calor e os ventos estelares impediriam a acumulação de gás. A principal hipótese é que eles nascem mais longe e, com o tempo, migram para perto da estrela.

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