Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 30 de julho de 2025 · 2 min de leitura ·

James Webb flagra buracos negros acordando para devorar estrelas em galáxias empoeiradas

James Webb flagra buracos negros acordando para devorar estrelas em galáxias empoeiradas

Um estudo recém-publicado no periódico científico Astrophysical Journal Letters relata a descoberta de buracos negros “adormecidos” despertando para devorar um verdadeiro banquete estelar. A equipe utilizou o Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA, capaz de “enxergar” através da poeira que cobre algumas galáxias, que detectou sinais claros desse fenômeno raro, conhecido como “evento de perturbação de maré” (TDE).

Esses eventos ocorrem quando uma estrela se aproxima demais do buraco negro central de uma galáxia. A força gravitacional é tão intensa que a estrela é despedaçada, liberando uma grande quantidade de energia. Isso nem sempre pode ser visto com telescópios comuns, pois a poeira da galáxia costuma esconder o brilho do fenômeno.

Cientistas já tinham identificado cerca de 100 TDEs desde os anos 1990, mas a maioria foi detectada em galáxias com pouca poeira. Agora, com o JWST, os pesquisadores conseguiram enxergar sinais em quatro galáxias empoeiradas onde antes só havia suspeitas. A visão sem precedentes do equipamento foi capaz de captar a luz infravermelha gerada quando o buraco negro começa a atrair os restos da estrela destruída.

A equipe comparou esses sinais com galáxias onde os buracos negros estão sempre ativos e notou padrões diferentes, sugerindo que os buracos negros observados estavam “adormecidos” e só se ativaram temporariamente por causa da passagem de uma estrela. Ou seja, esses titãs não se alimentam constantemente, mas despertam quando uma estrela “distraída” se aproxima.

De acordo com um comunicado, essas explosões só podem ser explicadas pela chamada acreção – quando material gira em torno do buraco negro antes de ser engolido. “Não há nada mais no Universo que possa excitar esse gás a essas energias, exceto a acreção de um buraco negro”, diz autora principal do estudo, Megan Masterson, estudante de pós-graduação Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

Esse processo de acreção ejeta vários elétrons de átomos de neônio, e o íon resultante pode transitar, liberando radiação infravermelha em um comprimento de onda muito específico que o JWST consegue detectar. 

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