
Novas observações do Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA, reforçam uma das percepções mais intrigantes da física moderna: o Universo parece ter se expandido a velocidades diferentes ao longo da história. Esse fenômeno, conhecido como “tensão de Hubble”, desafia os especialistas e levanta questões fundamentais sobre a compreensão do cosmos.
Desde que o Telescópio Espacial Hubble identificou o problema em 2019, a comunidade científica tem buscado respostas. Dados mais recentes, coletados pelo JWST em 2023 e 2024, confirmaram a discrepância. Um novo estudo, aceito para publicação pelo The Astrophysical Journal, utiliza a maior amostra já obtida pelo equipamento para consolidar ainda mais o problema.
De acordo com Adam Riess, ganhador do Prêmio Nobel de Física em 2011 e autor principal do estudo, “quanto mais investigamos, mais claro fica que essa diferença não é um erro no telescópio, mas sim uma característica fundamental do Universo”. Em um comunicado, Riess e sua equipe destacam que novos dados e ideias são essenciais para avançar na solução desse mistério.
A determinação da velocidade de expansão do Universo, medida pela constante de Hubble, depende de dois métodos principais.
O primeiro utiliza a radiação cósmica de fundo, a luz mais antiga do Universo, emitida cerca de 380 mil anos após o Big Bang. Dados obtidos pelo satélite Planck, da Agência Espacial Europeia (ESA), indicaram um valor de 67 quilômetros por segundo por megaparsec (km/s/Mpc), alinhado com modelos teóricos do Universo primitivo.
O segundo método analisa estrelas chamadas variáveis Cefeidas, que piscam de maneira previsível à medida que suas camadas externas de gás hélio se contraem e expandem. Comparando o brilho intrínseco dessas estrelas com o brilho observado, os astrônomos constroem uma “escada de distância cósmica” para calcular a taxa de expansão em diferentes eras do Universo. Este método aponta para um valor de cerca de 73 km/s/Mpc, significativamente superior ao obtido pelo Planck.
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