Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 9 de dezembro de 2024 · 2 min de leitura ·

James Webb reforça mistério sobre expansão do Universo

James Webb reforça mistério sobre expansão do Universo

Novas observações do Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA, reforçam uma das percepções mais intrigantes da física moderna: o Universo parece ter se expandido a velocidades diferentes ao longo da história. Esse fenômeno, conhecido como “tensão de Hubble”, desafia os especialistas e levanta questões fundamentais sobre a compreensão do cosmos.

Desde que o Telescópio Espacial Hubble identificou o problema em 2019, a comunidade científica tem buscado respostas. Dados mais recentes, coletados pelo JWST em 2023 e 2024, confirmaram a discrepância. Um novo estudo, aceito para publicação pelo The Astrophysical Journal, utiliza a maior amostra já obtida pelo equipamento para consolidar ainda mais o problema.

De acordo com Adam Riess, ganhador do Prêmio Nobel de Física em 2011 e autor principal do estudo, “quanto mais investigamos, mais claro fica que essa diferença não é um erro no telescópio, mas sim uma característica fundamental do Universo”. Em um comunicado, Riess e sua equipe destacam que novos dados e ideias são essenciais para avançar na solução desse mistério.

A determinação da velocidade de expansão do Universo, medida pela constante de Hubble, depende de dois métodos principais.

O primeiro utiliza a radiação cósmica de fundo, a luz mais antiga do Universo, emitida cerca de 380 mil anos após o Big Bang. Dados obtidos pelo satélite Planck, da Agência Espacial Europeia (ESA), indicaram um valor de 67 quilômetros por segundo por megaparsec (km/s/Mpc), alinhado com modelos teóricos do Universo primitivo.

O segundo método analisa estrelas chamadas variáveis Cefeidas, que piscam de maneira previsível à medida que suas camadas externas de gás hélio se contraem e expandem. Comparando o brilho intrínseco dessas estrelas com o brilho observado, os astrônomos constroem uma “escada de distância cósmica” para calcular a taxa de expansão em diferentes eras do Universo. Este método aponta para um valor de cerca de 73 km/s/Mpc, significativamente superior ao obtido pelo Planck.

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