
Duas cidades no sul do Japão estão testando um método para reciclar fraldas descartáveis usadas, transformando um dos resíduos mais persistentes em novos produtos de higiene. A iniciativa conta com apoio da Unicharm, uma das principais fabricantes do setor no país.
O problema é relevante em escala global, como mostra reportagem da agência AFP. Nos Estados Unidos, famílias descartam mais de 1 trilhão de fraldas por ano, tornando o item o terceiro produto de consumo mais comum em aterros sanitários. Por conta de seus componentes de polímero plástico, esses materiais podem levar mais de 500 anos para se decompor.
A abordagem adotada tem como base um sistema já implementado nas cidades de Shibushi e Osaki, que somam cerca de 40 mil habitantes. Há aproximadamente 25 anos, os municípios perceberam que o aterro local estava próximo do limite de capacidade e ampliaram significativamente suas políticas de reciclagem.
Hoje, apenas cerca de 20% do lixo doméstico é destinado ao descarte comum. Com uma taxa de reciclagem quatro vezes superior à média japonesa, especialistas estimam que o aterro da região poderá continuar operando por mais 40 anos.
Em 2024, as cidades passaram a incluir fraldas sujas no sistema. Após a coleta, os resíduos são limpos, triturados e separados em três componentes principais: plástico, polpa e polímero superabsorvente (SAP).
A Unicharm já utilizava esses materiais reciclados na produção de itens como papel higiênico. Agora, um novo processo com ozônio permite branquear, esterilizar e eliminar odores da polpa, ampliando as possibilidades de reaproveitamento.
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