
Pesquisas recentes realizadas abaixo do piso da Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém (Israel), parecem confirmar com impressionante fidelidade a descrição do sepulcro de Jesus Cristo conforme o Evangelho de João.
Entre as amostras de pólen e fragmentos arqueobotânicos coletados, identificaram-se vestígios de oliveiras e videiras — exatamente as espécies citadas no texto sagrado: “Naquele lugar onde foi crucificado havia um jardim; e no jardim um sepulcro novo, no qual ainda ninguém havia sido colocado. Ali puseram Jesus.” (João 19:41–42)
A professora Francesca Romana Stasolla, da Universidade La Sapienza de Roma, coordena a equipe italiana que iniciou as escavações em 2022, após décadas de impasse entre as três autoridades religiosas responsáveis pelo local — o Patriarcado Ortodoxo, a Custódia da Terra Santa e o Patriarcado Armênio.
“Sabemos que, na época de Adriano, quando se ergueu Aelia Capitolina, a área já fazia parte da cidade. Mas, no tempo de Jesus, esse terreno ainda ficava fora dos limites urbanos”, explica Stasolla ao Times of Israel. O estudo prévio de radiocarbono ainda está pendente, mas a análise da vegetação antiga aponta para um uso agrícola daquele espaço ainda na Antiguidade.
Sob o chão atual, os pesquisadores documentaram estratos que remontam à Idade do Ferro (1200–586 a.C.), quando a região funcionava como pedreira. “Descobrimos cerâmicas, lamparinas e utensílios do cotidiano desse período”, conta Stasolla. Após o abandono da pedreira, construíram-se muros baixos para transformar o espaço em áreas de cultivo — exatamente o “jardim” mencionado no Evangelho.
No nível correspondente ao reinado de Constantino, no século IV, havia diversas sepulturas escavadas na rocha. A tradição indica que o próprio imperador isolou o túmulo venerado como o de Jesus, circundando-o com uma estrutura que, hoje, corresponde à rotunda sob a edícula erguida em 1810, segundo o Express.
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