
Após o bem-sucedido passeio até a órbita da Terra, a bordo da nave New Shepard, da Blue Origin, realizado na manhã desta segunda-feira (14), Katy Perry poderia acumular mais uma atribuição, além de cantora e empresária: a de astronauta. Mas, será que turistas espaciais, como ela e suas cinco companheiras de missão, podem ser chamadas assim?
Três agências governamentais dos EUA estão autorizadas a conferir o título de astronauta: o Departamento de Defesa, a NASA e a Administração Federal de Aviação (FAA). Os dois primeiros atribuem esse status apenas a seus próprios funcionários, portanto, para serem considerados astronautas, Katy e todos os demais passageiros da Blue Origin devem atender aos critérios definidos pela FAA.
Essas diretrizes, redefinidas em 2021, determinam que os candidatos precisam voar mais de 80 km acima da superfície da Terra para se qualificar – e os tripulantes da Blue Origin realmente ultrapassam essa barreira, passando até da Linha de Kármán, que fica a 100 km de altitude é considerada o limite do espaço.
No entanto, segundo a FAA, um candidato ao título de astronauta deve passar por um treinamento certificado e “demonstrar durante o voo ações que são importantes para a segurança pública ou contribuem para a segurança espacial humana”. Além disso, a pessoa deve ser designada para a tripulação a realizar certas tarefas durante o voo, não sendo apenas um passageiro comum.
Como a cápsula de passageiros do foguete New Shepard é totalmente autônoma, não fica ninguém responsável por pilotá-la, nem ninguém realmente realizando quaisquer tarefas que sejam essenciais para a “segurança pública” da tripulação.
“Fazer um passeio de lancha ou mesmo um cruzeiro de navio não faz de ninguém um marinheiro”, compara Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (Bramon) e colunista do Olhar Digital.
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