
Um artigo publicado em abril na revista Environmental Science and Pollution Research revelou que o solo do fundo de um lago em São Paulo guarda registros de 100 anos de poluição por metais.
O estudo analisou os sedimentos do Lago das Garças, no Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, mostrando como a cidade foi se tornando mais contaminada com o passar das décadas.
Os cientistas usaram uma técnica chamada paleolimnologia, que estuda camadas de sedimentos para entender como o ambiente mudou ao longo do tempo. Essas camadas funcionam como páginas de um livro, registrando o que ocorreu em cada época. Assim, foi possível reconstituir a evolução da poluição na capital paulista.
Para isso, mergulhadores coletaram cilindros de lama do fundo do lago. Esses “núcleos” de sedimento guardam material depositado ano após ano. Como o carbono-14 não funciona bem para datas mais recentes, os pesquisadores usaram um método alternativo com chumbo-210, um isótopo radioativo que permite datar até 150 anos atrás.
A pesquisa analisou a presença de oito metais pesados nos sedimentos: cobalto, cromo, cobre, ferro, manganês, níquel, chumbo e zinco. Essas substâncias são poluentes comuns em áreas urbanas e industriais, e seu acúmulo está diretamente ligado às atividades humanas.
Os resultados mostram três períodos distintos de poluição. Até 1950, as concentrações de metais eram baixas, refletindo uma cidade ainda pouco industrializada. O lago, formado pelo represamento do córrego Campanário em 1893, foi usado para abastecimento de água até 1928.
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