Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 7 de fevereiro de 2024 · 2 min de leitura ·

Lama tóxica pode virar aço verde com nova técnica

Lama tóxica pode virar aço verde com nova técnica

Cientistas do Instituto Max Planck de Pesquisas Sobre o Estado Sólido, na Alemanha, descobriram uma forma de transformar resíduos de lama vermelha tóxica – gerada na produção de alumínio – em aço verde, espécie mais sustentável do metal, em cerca de dez minutos.

A descoberta, publicada na revista Nature, tem potencial para melhorar a pegada de carbono da indústria siderúrgica, que, como pontua a pesquisa, é o setor com maior emissão de gases do efeito estufa, responsável por 8% da emissão global de dióxido de carbono (CO2).

“Se o hidrogênio verde fosse usado para produzir ferro a partir dos quatro bilhões de toneladas de lama vermelha geradas na produção global de alumínio até o momento, a indústria siderúrgica poderia economizar quase 1,5 bilhão de toneladas de CO2”, disse Isnaldi Souza Filho, autor correspondente do estudo, na Max-Planck-Gesellschaft.

A lama vermelha proveniente da produção de alumínio consiste em até 60% de óxido de ferro. Em um processo conhecido como redução de plasma, os cientistas derretem a lama em um forno elétrico a arco, utilizando um plasma que contém 10% de hidrogênio para separar os óxidos líquidos do ferro líquido – que pode ser processado diretamente em aço.

Matic Jovičevič-Klug, autor principal do estudo, explica que também é possível neutralizar metais pesados presentes na lama: “Após a redução, detectamos cromo no ferro. Outros metais pesados ​​e preciosos provavelmente vão para o ferro ou para uma área separada. Isso é algo que investigaremos em estudos posteriores. Metais valiosos poderiam então ser separados e reutilizados.”

Ana Julia Pilato é formada em Jornalismo pela Universidade São Judas (USJT). Já trabalhou como copywriter e social media. Tem dois gatos e adora filmes, séries, ciência e crochê.

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