
A atmosfera da Terra é essencial para a vida, mas representa um grande obstáculo para a astronomia. Mesmo em noites aparentemente calmas, a turbulência do ar distorce a luz das estrelas, causando o conhecido efeito de cintilação. Para contornar esse problema, cientistas desenvolveram uma solução engenhosa: criar estrelas artificiais com lasers, segundo informações do portal IFLScience.
Essa técnica faz parte da chamada óptica adaptativa, um sistema que utiliza espelhos deformáveis e computadores para corrigir, em tempo real, as distorções causadas pela atmosfera. Para funcionar, o sistema precisa de uma estrela de referência próxima ao objeto observado.
Quando não há uma estrela adequada, os telescópios criam uma. Observatórios como o European Southern Observatory utilizam lasers que excitam átomos de sódio a cerca de 90 quilômetros de altitude. Esse processo gera um ponto brilhante no céu, funcionando como uma estrela artificial perfeitamente conhecida, que serve de base para os ajustes ópticos.
Um dos sistemas mais avançados que utilizam essa tecnologia é o Very Large Telescope Interferometer. Ele combina quatro telescópios de 8 metros de diâmetro para formar um único “telescópio virtual”, com resolução equivalente à distância entre eles.
Esse tipo de interferometria exige precisão extrema, o que torna a correção atmosférica indispensável. Recentemente, o sistema foi aprimorado no programa GRAVITY+, que introduziu novos lasers e melhorias na capacidade de observação.
Um dos resultados mais impressionantes dessas melhorias foi a observação da Nebulosa da Tarântula, uma região de formação estelar localizada na Grande Nuvem de Magalhães, a cerca de 160 mil anos-luz da Terra.
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