Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 2 de janeiro de 2022 · 2 min de leitura ·

Lêndeas encontradas em múmias sul americanas contém DNA humano antigo

Lêndeas encontradas em múmias sul americanas contém DNA humano antigo

Piolhos – ou melhor, seus ovos, chamados “lêndeas” – foram encontrados em múmias sul americanas por cientistas, que identificaram informações genéticas de povos antigos da nossa região, de acordo com estudo publicado no jornal científico Molecular Biology and Evolution, ligado à Universidade de Oxford.

Segundo os especialistas, as lêndeas, depositadas nas múmias há milhares de anos, “cimentaram” – ou seja, ficaram rígidas e duras, parecido com o processo de fossilização de restos mortais -, efetivamente preservando informações genéticas não apenas delas, mas de seus hospedeiros.

As múmias analisadas têm entre 1,5 mil e 2 mil anos, e a análise desse recém-descoberto DNA (cuja qualidade, segundo os autores, é consideravelmente maior do que a obtida pela extração de outros métodos) revelou informações inéditas sobre processos de migração de civilizações pré-colombianas.

A pesquisa foi liderada pela Universidade de Reading, com colaborações da Universidade Nacional de San Juan (Argentina); a Universidade Bangor (País de Gales); a Universidade de Copenhague (Dinamarca) e, claro, Oxford.

“Assim como a história fictícia de mosquitos presos em âmbar do filme Jurassic Park, nós mostramos que a nossa informação genética pode ser guardada pela substância pegajosa produzida pelos piolhos em nossos cabelos”, disse a Dra. Alejandra Perotti, professora associada de Biologia de Invertebrados em Reading. “Além da genética, a biologia dos piolhos pode oferecer pistas críticas sobre como as pessoas viveram e morreram há milhares de anos”.

“A demanda por amostras de DNA humano antigo cresceu nos últimos anos, à medida em que tentamos entender a migração e a diversidade das populações ancestrais”, ela continuou. “Os piolhos têm acompanhado humanos ao longo de toda a sua existência, então esse novo método pode abrir uma mina de informações sobre nossos ancestrais, ao mesmo tempo em que preserva espécimes únicos”.

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