Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 13 de agosto de 2025 · 2 min de leitura ·

Lente gravitacional revela “Uvas Cósmicas” do início do Universo

Lente gravitacional revela “Uvas Cósmicas” do início do Universo

Um artigo publicado na revista Nature Astronomy descreve a descoberta de uma galáxia distante com cerca de 15 aglomerados compactos de formação de estrelas, organizados como um cacho de uvas. Apelidada de “Uvas Cósmicas”, essa galáxia teria se formado apenas 930 milhões de anos após o Big Bang – mostrando que o Universo jovem podia produzir estruturas mais complexas do que os astrônomos imaginavam.

A observação foi possível graças à combinação de dados do Telescópio Espacial James Webb (JWST) da NASA, e do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), rede de radiotelescópios que fica no Chile.

Os astrônomos responsáveis pela detecção usaram a técnica de lente gravitacional, método por meio do qual uma galáxia em primeiro plano, como a RXCJ0600-2007, neste caso, atua como uma lupa cósmica, ampliando a luz de objetos distantes para os telescópios.

O estudo foi liderado por Seiji Fujimoto, na época pesquisador da Universidade do Texas em Austin, nos EUA, e atualmente na Universidade de Toronto, no Canadá. Em comunicado, ele destacou que a combinação da ampliação natural e dos telescópios mais avançados do mundo permitiu observar a galáxia com detalhes inéditos. Foram mais de 100 horas de observações, mostrando uma visão interna muito mais rica do que as imagens anteriores do Hubble, que sugeriam apenas um disco liso e giratório.

Com a alta resolução do ALMA e do JWST, os pesquisadores identificaram enormes aglomerados de gás denso prontos para formar estrelas. “Nossas observações revelam que a luz estelar jovem de algumas galáxias primitivas é dominada por vários aglomerados massivos, densos e compactos, em vez de uma distribuição uniforme de estrelas.”, explicou Mike Boylan-Kolchin, professor de astronomia na UT Austin e coautor do estudo. Isso muda a ideia de como estrelas se organizavam em galáxias primitivas. 

A descoberta também ajuda a entender o crescimento inicial das galáxias, ao estabelecer uma ligação clara entre as pequenas estruturas internas – os aglomerados formadores de estrelas – e a rotação da galáxia como um todo. Assim, muitas galáxias vistas como suaves no passado podem, na realidade, conter aglomerados escondidos, revelando um Universo primordial muito mais dinâmico e cheio de surpresas.

Compartilhe