Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 20 de dezembro de 2024 · 2 min de leitura ·

Línguas europeias têm raízes em migrações pré-históricas de mais de cinco mil anos

Línguas europeias têm raízes em migrações pré-históricas de mais de cinco mil anos

As línguas europeias contemporâneas podem ser associadas a migrações ocorridas há aproximadamente 5,2 mil anos, de acordo com novo estudo pré-publicado no servidor de pré-impressão bioRxiv. A pesquisa explora a conexão entre a evolução das línguas indo-europeias e a ancestralidade genética de populações que viveram na Europa durante a Idade do Bronze.

A maioria dos idiomas falados na Europa pertence à família indo-europeia, que inclui as línguas românicas, germânicas, eslavas, bálticas, celtas e helênicas, entre outras. Apenas algumas exceções, como o basco, não se enquadram nessa categoria.

Os resultados indicam relações claras entre ancestralidade genética e grupos linguísticos. Segundo os autores, “a chegada da ancestralidade das estepes na Espanha, França e Itália foi mediada por populações Bell Beaker da Europa Ocidental, possivelmente contribuindo para o surgimento das línguas itálica e celta. Em contraste, populações armênias e gregas adquiriram ancestralidade das estepes diretamente de grupos Yamnaya da Europa Oriental”, escreveram os autores do estudo.

Esses achados corroboram hipóteses linguísticas, como as ítalo-céltica e greco-armênia, que explicam a origem das principais línguas indo-europeias mediterrâneas da Antiguidade.

No entanto, a pesquisa não conseguiu esclarecer todas as conexões na árvore genealógica linguística. Por exemplo, a relação entre as línguas germânicas e ítalo-celtas permanece incerta. Além disso, padrões genéticos não foram uniformes em todas as regiões.

Populações dos Bálcãs, por exemplo, apresentaram herança mista derivada de culturas Bell Beaker, Yamnaya e Corded Ware. Já na Itália, grupos distintos emergiram: indivíduos do norte e centro mostraram vínculos com a linhagem Bell Beaker da França e Espanha, enquanto aqueles da costa adriática apresentaram ancestralidade Yamnaya, mais próxima dos Bálcãs e da Grécia.

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