Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 12 de outubro de 2025 · 2 min de leitura ·

“Lobos-terríveis” criados em laboratório serão soltos na natureza? Esse grupo defende que não

"Lobos-terríveis" criados em laboratório serão soltos na natureza? Esse grupo defende que não

No começo do ano, a Colossal Biosciences chocou o mundo ao anunciar o nascimento de três lobos com traços genéticos do extinto “lobo-terrível”. Inicialmente chamando o caso de “desextinção”, a empresa mais tarde admitiu que os animais eram, na verdade, lobos-cinzentos com traços muito semelhantes aos de seus antepassados. No momento, não existem planos para que eles sejam soltos na natureza, mas um grupo quer garantir que eles – e qualquer outro animal ou planta recriados – não possam ser soltos.

O grupo reúne algumas das mais importantes entidades de conservação da natureza do mundo e vai colocar em votação uma moratória que será analisada na reunião da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

Os defensores da proibição consideram que os perigos de organismos geneticamente modificados desequilibrarem a natureza são grandes. “Precisamos destinar recursos para estratégias de conservação da natureza que sabemos que funcionam, e não tentar trazer de volta animais que não existem mais”, disse Joann Sy, consultora científica de um grupo de conservação sediado em Paris chamado Pollinis, um dos principais patrocinadores da moratória, ao The Washington Post.

A proposta, no entanto, está longe de ser unânime. Mesmo que temporária, os opositores acreditam que a ciência da recriação de espécies pode salvar a natureza, e não prejudicá-la.

“É tão enlouquecedor”, disse Ryan Phelan, cofundador e diretor-executivo da organização sem fins lucrativos Revive & Restore, que se opõe à pausa. O grupo teme que a proposta interrompa o financiamento a essas iniciativas. “A moratória realmente interromperia o avanço da ciência.”

Ele disse ainda que os “financiadores, filantropos, investidores e reguladores” necessários para tirar os projetos do papel “são todos avessos ao risco”.

Compartilhe