
Sondas solares que observaram o cometa 3I/ATLAS enquanto ele passava perto do Sol no fim do mês passado revelaram que o visitante interestelar está “nitidamente mais azul” que a nossa estrela em comparação com imagens anteriores. Como consequência, foi amplamente noticiado que o objeto “mudou de cor”.
No entanto, não foi exatamente isso que aconteceu, de acordo com os autores do artigo que descreve a descoberta, disponibilizado no repositório online de pré-impressão arXiv, onde aguarda revisão de pares para publicação.
Descoberto em julho, o 3I/ATLAS, que é apenas o terceiro corpo celeste vindo de fora detectado passando pelo Sistema Solar, atingiu o periélio (ponto mais próximo do Sol) em 29 de outubro.
Na ocasião, três observatórios solares fizeram imagens do objeto, mostrando um rápido aumento de brilho, muito maior do que o esperado para cometas a distâncias semelhantes do Sol. Além disso, cientistas que analisaram os registros relataram que o cometa aparece mais azul que o Sol, o que difere de observações anteriores que mostravam uma poeira avermelhada.
Qicheng Zhang, pesquisador do Observatório Lowell, no Arizona, EUA, e membro da equipe, explicou que não há evidências de mudança na cor. “Nosso resultado apenas mostrou que a coma gasosa provavelmente ainda está presente e contribuindo substancialmente para o brilho geral”, disse o astrônomo ao site Space.com.
Compostos por gelo, rochas e poeira, os cometas são conhecidos como “bolas de neve sujas”. Conforme se aproximam do Sol, o gelo evapora, formando a coma – uma nuvem brilhante de gases – e, em alguns casos, uma cauda longa empurrada pelo vento solar.
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