
Há 50 anos, foi descoberto um crânio fossilizado quase completo e centenas de pedaços de osso de um espécime feminino, datado com 3,2 milhões de anos, do gênero Australopithecus afarensis, chamada de “a mãe de todos nós”. Essa é Lucy, que recebeu este nome em homenagem à música “Lucy in the Sky with Diamonds”, dos Beatles.
Embora Lucy tenha resolvido alguns enigmas evolutivos, sua aparência continua sendo um mistério. Representações clássicas a recriam com pelo grosso marrom-avermelhado, com rosto, mãos, pés e seios aparecendo em matagais mais densos. Só que essa imagem cabeluda de Lucy pode estar errada.
Conforme artigo do The Conversation, da professora de filosofia da Universidade Estadual de Kennesaw (EUA), Stacy Keltner, os avanços tecnológicos na análise genética sugerem que Lucy pode não ter tido pelos, ou, pelo menos, muito mais velada.
Dado que os bebês humanos necessitam de longo período de cuidados antes de poderem sobreviver por si próprios, diferente de outros animais, os investigadores evolucionistas interdisciplinares teorizaram que os primeiros humanos adotaram a estratégia da união de pares – um homem e uma mulher formando parceria após formarem forte afinidade um pelo outro. Trabalhando juntos, os dois podem administrar mais facilmente anos de cuidados parentais.
Contudo, como os seres humanos são sociais e vivem em grandes grupos, são tentados a quebrar a monogamia, o que tornaria mais difícil a criação dos filhos. Por isso, segundo Keltner, era necessário algum mecanismo para garantir o pacto sócio-sexual. Esse mecanismo provavelmente foi uma vergonha.
No documentário “Qual o problema da nudez?”, o antropólogo evolucionista Daniel MT Fessler explica a evolução da vergonha:
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