
Um artigo publicado nesta terça-feira (10) na revista Nature Communications sugere que o núcleo da Terra pode abrigar a maior reserva de hidrogênio do planeta. Segundo o estudo, essa região profunda teria até 45 vezes mais hidrogênio do que todos os oceanos juntos.
O hidrogênio é o elemento químico mais leve e abundante do Universo. Ele faz parte da água e de muitas substâncias essenciais à vida. Apesar disso, medir sua presença nas partes mais profundas do planeta é um enorme desafio. As condições no núcleo são extremas, com pressões e temperaturas altíssimas.
De acordo com os pesquisadores, o hidrogênio teria entrado no núcleo durante a formação da Terra, há cerca de 4,5 bilhões de anos. Isso significa que ele já estava presente enquanto o planeta ainda se organizava internamente. Essa conclusão pode encerrar um antigo debate científico sobre a origem do hidrogênio terrestre.
Até agora, alguns cientistas defendiam que o hidrogênio teria sido trazido por cometas após a formação do núcleo. Outros acreditavam que ele já estava incorporado desde o início. Saber o momento exato dessa incorporação é importante para entender como a Terra se formou e evoluiu ao longo do tempo.
Estimar a quantidade de hidrogênio no núcleo sempre foi complicado. Por ser muito leve e pequeno, ele é difícil de detectar com métodos tradicionais. Além disso, as condições do núcleo não podem ser reproduzidas facilmente em laboratório.
Pesquisas anteriores usaram uma técnica chamada difração de raios X. Nesse método, cientistas analisam como os raios X se espalham ao atravessar um material. Como o núcleo é composto principalmente de ferro, os pesquisadores estudaram amostras de ferro misturadas com hidrogênio para tentar calcular quanto do elemento poderia estar presente.
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