Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 9 de novembro de 2021 · 2 min de leitura ·

Maiores baleias do mundo comem (e defecam) mais do que se pensava – como isso interfere nos ecossistemas oceânicos?

Maiores baleias do mundo comem (e defecam) mais do que se pensava - como isso interfere nos ecossistemas oceânicos?

Um estudo publicado na última quarta-feira (3) na revista Nature descobriu que as maiores baleias de nossos oceanos (baleias azuis, jubartes e baleias-fin ou rorquais) consomem muito mais alimento do que se pensava anteriormente. Logo, elas fazem muito mais cocô, consequentemente. Isso, segundo os pesquisadores, tem papel fundamental nos ecossistemas oceânicos.

De acordo com o site Phys, a pesquisa revelou que esses animais ingerem anualmente três vezes mais comida do que o estimado por cientistas até então. Ao subestimar o quanto eles comem, os estudiosos também podem ter subestimado a importância desses gigantes submarinos para a saúde e produtividade dos oceanos.

Isso porque as fezes das baleias são uma fonte crucial de nutrientes para os oceanos, segundo a pesquisa liderada por Nicholas Pyenson, curador de fósseis de mamíferos marinhos do Museu Nacional de História Natural, localizado em Washington, nos EUA, e administrado pela Instituição Smithsoniana.

Ao liberar excrementos nas águas, as baleias ajudam a manter os nutrientes essenciais suspensos perto da superfície, onde podem sustentar o fitoplâncton que absorve carbono e que forma a base das cadeias alimentares dos oceanos. 

Sem as baleias, esses nutrientes vão mais rapidamente para o fundo do mar, o que pode limitar a produtividade em certas partes do oceano e, por sua vez, reduzir a capacidade dos ecossistemas oceânicos de absorver o dióxido de carbono que aquece o planeta.

Essas descobertas chegam em um momento crucial, quando o planeta enfrenta as crises interconectadas da mudança climática global e da perda de biodiversidade. À medida que o planeta se aquece, os oceanos absorvem mais calor e se tornam mais ácidos, ameaçando a sobrevivência das fontes de alimento das quais as baleias precisam. 

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