
Um artigo publicado na revista Geophysical Research Letters traz novas evidências sobre um dos fenômenos mais intrigantes do clima atual. Enquanto a temperatura média da atmosfera e dos oceanos da Terra vem aumentando desde o século XIX, uma área específica do Atlântico Norte segue na direção oposta, registrando resfriamento ao longo dos últimos 150 anos.
Essa região, localizada ao sul da Groenlândia e da Islândia, ficou conhecida entre os cientistas como a “mancha fria” do Atlântico Norte. O comportamento incomum chama a atenção porque ocorre justamente em um planeta que enfrenta um aquecimento global cada vez mais intenso.
Segundo o estudo, a explicação mais provável para esse fenômeno está ligada ao enfraquecimento da Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico (AMOC, na sigla em inglês). Trata-se de um enorme sistema de correntes oceânicas responsável por transportar calor, carbono e nutrientes ao longo do Oceano Atlântico.
A AMOC funciona como uma espécie de esteira transportadora natural que leva águas quentes e salgadas das regiões tropicais em direção ao norte do Atlântico. Ao chegar às áreas mais frias próximas ao Ártico, essa água perde calor, torna-se mais densa, afunda e retorna para o sul pelas profundezas do oceano.
Nos últimos anos, diversos estudos apontaram sinais de que esse sistema pode estar perdendo força. Uma das principais razões seria o aumento do derretimento das geleiras da Groenlândia, provocado pelo aquecimento global causado pelas atividades humanas.
O derretimento libera grandes quantidades de água doce no Atlântico Norte. Isso altera a salinidade da região e interfere no delicado equilíbrio que permite o funcionamento normal das correntes oceânicas. Como a densidade da água depende da temperatura e da quantidade de sal, mudanças nesses fatores podem afetar toda a circulação.
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