Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 29 de agosto de 2025 · 1 min de leitura ·

Mandíbulas de “estilingue”: a estranha mecânica de caça do tubarão-duende

Mandíbulas de "estilingue": a estranha mecânica de caça do tubarão-duende

Considerado um dos tubarões mais estranhos do mundo, o tubarão-duende (Mitsukurina owstoni) chama a atenção por uma característica singular: possui as mandíbulas mais rápidas já registradas entre os peixes, capazes de se projetar para fora do rosto como um estilingue a velocidades de aproximadamente 3,1 metros por segundo.

A espécie foi descoberta em 1898, nas águas profundas do Japão e, ainda hoje, habita regiões escuras do oceano, entre 250 e mais de 900 metros de profundidade, na chamada zona bentopelágica. Nesse ambiente inóspito, onde sobrevivem peixes, cefalópodes e crustáceos, o tubarão-duende se destaca por um mecanismo de caça extremamente eficaz.

As mandíbulas protuberantes podem se estender de 8,6% a 9,4% do comprimento total do corpo do animal, permitindo capturar presas que, de outra forma, estariam fora de alcance.

Essa adaptação é tão eficiente que mesmo presas rápidas não conseguem escapar, apesar da natação relativamente lenta da espécie.

Um estudo de 2016, publicado na Nature, analisou as primeiras filmagens do tubarão-duende se alimentando e batizou o mecanismo como “alimentação por estilingue” (slingshot feeding).

A pesquisa concluiu que se trata da velocidade mais alta já registrada em qualquer peixe, superando, inclusive, outras espécies de tubarões quanto à extensão das mandíbulas.

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