Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 20 de dezembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Mapa inédito revela a verdadeira “borda” do Sol

Mapa inédito revela a verdadeira “borda” do Sol

Um artigo publicado este mês no periódico científico Astrophysical Journal Letters (ApJL) apresenta o primeiro mapa contínuo em duas dimensões da fronteira externa da atmosfera do Sol. 

Essa região marca o limite onde o vento solar deixa de ser controlado pelo campo magnético da estrela e passa a se espalhar pelo espaço interplanetário. Trata-se de uma área dinâmica, com aspecto irregular, que funciona como a “borda” efetiva do Sol.

O estudo foi conduzido por astrônomos do Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian (CfA), que combinaram mapas inéditos com medições de alta resolução, o estudo mostra que essa fronteira se torna maior, mais irregular e com formas mais pontiagudas à medida que o Sol entra em fases de maior atividade. Essas mudanças acompanham o chamado ciclo solar, que dura cerca de 11 anos.

Segundo os pesquisadores, compreender com precisão onde está esse limite é essencial para estudar a coroa solar – a camada externa da atmosfera do Sol. Embora a coroa seja muito menos densa que a superfície, ela atinge temperaturas extremamente altas, um fenômeno que ainda não é totalmente explicado. Para responder a esse tipo de pergunta, é necessário saber exatamente onde termina a influência direta do campo magnético solar.

A validação dos mapas foi feita com dados coletados pela sonda solar Parker, da NASA, que faz as maiores aproximações já realizadas à atmosfera do Sol. A espaçonave atravessa repetidamente a chamada superfície de Alfvén, região em que a velocidade do vento solar ultrapassa a velocidade das ondas magnéticas. Ao cruzar esse ponto, o material não consegue mais retornar ao Sol.

Essa superfície funciona como um “ponto sem retorno” para partículas solares e representa um laboratório natural para estudar como a atividade do Sol afeta todo o Sistema Solar. Fenômenos originados nessa região influenciam desde auroras na Terra até tempestades solares capazes de interferir em satélites, comunicações e redes elétricas.

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