Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 2 de abril de 2025 · 2 min de leitura ·

Meteorito “bola de lama” viajou intacto por dois milhões de anos até atingir a Terra

Meteorito “bola de lama” viajou intacto por dois milhões de anos até atingir a Terra

Um artigo publicado na revista Meteoritics & Planetary Science revelou uma nova surpresa sobre o meteorito Aguas Zarcas: essa rocha espacial, pertencente à classe dos condritos carbonáceos, passou pelo menos dois milhões de anos no espaço sem sofrer colisões significativas. A descoberta desafia a ideia de extrema fragilidade de meteoritos desse tipo.

O Aguas Zarcas chamou a atenção da comunidade científica ao atravessar a atmosfera da Terra em abril de 2019, fragmentando-se sobre a Costa Rica. Entre os destroços recuperados, um pedaço perfurou o telhado de uma casinha de cachorro, deixando um buraco de 18 cm. A estrutura foi leiloada em 2022 por quase US$50 mil. O pastor alemão Roky, que dormia ali, saiu ileso.

Ao todo, foram recuperados 27 quilos de fragmentos, tornando essa a maior queda desse tipo desde o meteorito Murchison, na Austrália, em 1969. “Setenta e seis estudos foram feitos sobre Aguas Zarcas”, disse o geólogo Gerardo Soto, da Universidade da Costa Rica em um comunicado. Ele destacou que nenhuma outra bola de fogo gerou tanta repercussão no país nos últimos 150 anos.

O estudo recente traçou a trajetória do meteorito até a Terra, usando imagens de satélites, radares e câmeras de segurança. Apesar de se saber bem onde caiu, sua origem exata é mais difícil de determinar. Cientistas sugerem que veio do cinturão de asteroides externo, onde corpos primitivos do Sistema Solar ainda circulam.

Os condritos carbonáceos são ricos em carbono e minerais hidratados, o que os torna frágeis e propensos a se desintegrar ao entrar na atmosfera. Por isso, muitos meteoritos desse tipo deixam poucos fragmentos para estudo. O Aguas Zarcas, no entanto, manteve grandes pedaços intactos, indicando uma resistência inesperada.

Os pesquisadores analisaram a exposição da rocha aos raios cósmicos para estimar sua idade espacial. A análise mostrou que ela passou pelo menos dois milhões de anos flutuando no espaço antes de chegar à Terra. Esse longo período sem danos desafia a noção de que meteoritos carbonáceos se fragmentam facilmente.

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