Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 24 de julho de 2026 · 2 min de leitura ·

Minas Gerais abriga “Marte” brasileiro que pode mudar estudos sobre vida extrema

Minas Gerais abriga “Marte” brasileiro que pode mudar estudos sobre vida extrema

Uma pesquisa de doutorado da Universidade de São Paulo (USP) propôs um novo sistema para classificar organismos capazes de sobreviver em ambientes com grande concentração de sal. O trabalho foi desenvolvido pela cientista molecular Ana Paula Schiavo, no Instituto de Química da universidade, com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O estudo (leia aqui) analisou microrganismos encontrados em uma região de Diamantina (MG) com solo rico em ferro, considerada um ambiente semelhante a determinadas condições presentes em Marte. A investigação buscou compreender como formas de vida microscópicas podem resistir simultaneamente à alta salinidade e à radiação ultravioleta intensa.

A proposta surgiu diante da falta de um padrão aceito pela comunidade científica para definir diferentes grupos de extremófilos, organismos adaptados a condições consideradas severas para a maioria dos seres vivos. A nova classificação usa critérios estatísticos baseados no crescimento ideal das espécies em diferentes níveis de salinidade.

Os chamados halófilos fazem parte do grupo dos extremófilos e são organismos associados a ambientes com elevada quantidade de cloreto de sódio. Até então, as categorias utilizadas para diferenciar espécies levemente, moderadamente ou extremamente halofílicas dependiam de faixas de concentração de sal que, segundo a pesquisa, não possuíam uma justificativa científica uniforme.

Para chegar a uma nova proposta, Schiavo reuniu dados de 1.298 espécies descritas como halofílicas ou halotolerantes em artigos publicados entre 1967 e 2021 no International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology. A análise identificou divergências nos critérios adotados por diferentes estudos, inclusive na definição das condições consideradas extremas.

A pesquisadora também observou que alguns trabalhos não determinavam corretamente o ponto ótimo de crescimento dos microrganismos, ou seja, a condição de salinidade na qual cada espécie apresenta maior capacidade de desenvolvimento.

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